Os Emirados Árabes Unidos estão revendo um dos maiores projetos de data centers fora dos Estados Unidos depois que ataques com drones e mísseis atingiram infraestrutura tecnológica na região. O plano original previa um gigantesco campus de 5 gigawatts em Abu Dhabi, mas agora autoridades avaliam distribuir a capacidade entre diferentes pontos do país.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o redesenho dos data centers dos Emirados Árabes também pode incluir instalações subterrâneas, concreto resistente a explosões, sistemas de defesa contra drones e mísseis, além de fontes adicionais de energia e refrigeração.
Em casos mais sensíveis, como instalações responsáveis por dados militares, até estruturas dentro de montanhas estão em discussão.
A mudança mostra como a resiliência dos data centers começa a envolver um risco que normalmente aparece menos nas discussões sobre cloud: ataques físicos contra a própria infraestrutura.
Projeto previa um campus de 5 gigawatts em Abu Dhabi
O UAE-US AI Campus foi anunciado em 2025 e representa uma das maiores iniciativas de infraestrutura computacional planejadas fora dos Estados Unidos.
O projeto é liderado pela G42 e envolve companhias americanas como Nvidia, OpenAI, Oracle e Cisco.
Inicialmente, a proposta previa concentrar os 5 GW de capacidade em uma área de aproximadamente 26 quilômetros quadrados em Abu Dhabi.
Agora, segundo quatro fontes citadas pela Reuters, a tendência é substituir parte dessa concentração por uma rede de data centers distribuídos pelo território dos Emirados.
A G42 afirma que o projeto continua avançando conforme planejado, mas reconheceu que os detalhes passam por revisões contínuas de acordo com os padrões de segurança, resiliência e operação exigidos por uma infraestrutura dessa escala.
Ataques a data centers mudaram a percepção de risco
A revisão começou após o aumento dos ataques iranianos contra países do Golfo que abrigam forças americanas.
Em março, dois data centers da Amazon Web Services nos Emirados Árabes e uma instalação no Bahrein sofreram danos durante os ataques, segundo a Reuters.
O episódio demonstrou de forma concreta que grandes instalações de cloud também podem se tornar alvos dentro de um conflito regional.
Em abril, as forças armadas iranianas divulgaram ainda um vídeo indicando que o complexo Stargate UAE poderia se tornar um alvo.
A localização do projeto fica próxima à Base Aérea de Al Dhafra, nos arredores de Abu Dhabi, que recebe forças dos Estados Unidos.
Com isso, a discussão deixou de envolver apenas disponibilidade de energia, refrigeração e conectividade. Proteção contra ataques físicos também entrou no planejamento.
Parte dos data centers pode ficar no subsolo
Entre as alternativas analisadas está a construção de partes da infraestrutura abaixo do nível do solo.
Além disso, autoridades avaliam colocar instalações responsáveis pelas informações mais sensíveis dentro de regiões montanhosas.
A ideia não é inédita.
Estados Unidos, Europa e China já possuem data centers instalados em antigas minas, bunkers e cavernas. Essas estruturas podem oferecer proteção física adicional, embora criem desafios próprios de construção, conectividade e refrigeração.
Nos Emirados, essa alternativa encontra limitações geográficas. Grande parte do país possui terreno desértico e plano, enquanto as principais cadeias montanhosas ficam no norte e nordeste.
Ainda assim, locais em regiões como Ras Al Khaimah e Fujairah podem entrar nas avaliações para instalações específicas.
Defesa contra drones entra no projeto de data centers
A revisão também pode adicionar elementos normalmente associados à proteção de instalações militares.
Três fontes disseram à Reuters que o projeto considera sistemas de defesa aérea, incluindo interceptadores de drones e mísseis e equipamentos de interferência eletrônica.
Além disso, os responsáveis estudam concreto resistente a explosões.
A infraestrutura interna também deve receber reforços.
Mais sistemas de energia de emergência e capacidade adicional de refrigeração aparecem entre as medidas consideradas para manter os servidores funcionando durante incidentes.
Esse aspecto é particularmente importante porque um data center depende continuamente de eletricidade e controle de temperatura. Mesmo que os servidores não sofram danos diretos, uma interrupção prolongada nesses sistemas pode tirar serviços do ar.
Distribuir data centers reduz um grande ponto único de falha
A mudança de um enorme campus centralizado para diversos locais também segue um princípio conhecido na arquitetura de sistemas: evitar um único ponto de falha.
Concentrar grandes quantidades de capacidade computacional em uma única região pode melhorar eficiência operacional e conectividade.
Por outro lado, uma falha grave naquele local pode atingir uma parcela enorme da infraestrutura simultaneamente.
Distribuir recursos reduz esse risco.
Se uma instalação ficar indisponível, outras regiões podem continuar operando, desde que sistemas, dados e rotas de tráfego também tenham sido projetados para trabalhar de maneira redundante.
O mesmo princípio aparece na escalabilidade horizontal de sistemas, em que a carga é distribuída entre diversas instâncias em vez de depender de um único equipamento de grande capacidade.
No caso dos data centers, porém, essa lógica precisa funcionar em uma escala física muito maior.
Cloud também depende de infraestrutura física
Para o usuário, a nuvem frequentemente parece uma infraestrutura abstrata.
Uma aplicação envia dados para AWS, Azure ou outro serviço e recebe uma resposta pela internet. Por trás disso, porém, existem servidores, redes, subestações elétricas, sistemas de refrigeração e prédios localizados em territórios específicos.
Por isso, riscos físicos também podem gerar consequências digitais.
Uma interrupção em um data center pode deixar aplicativos indisponíveis, interromper APIs, impedir consultas a bancos de dados e afetar serviços utilizados por empresas em outros países.
A APIBrasil já abordou essa dependência ao mostrar como uma falha no Azure Cosmos DB poderia afetar bancos de dados em larga escala. Naquele caso, o risco era técnico. Nos Emirados, o debate atual envolve a própria infraestrutura física que mantém os serviços funcionando.
Primeiro cluster de 1 GW já está em construção
Apesar da revisão, a primeira fase do projeto deve continuar.
O Stargate UAE, cluster de 1 GW avaliado em US$ 30 bilhões, começou a ser construído em 2025.
Os primeiros 200 MW de capacidade estavam previstos para entrar em operação em 2026.
A Oracle participa do projeto ao lado da G42, enquanto OpenAI, Nvidia e outras empresas americanas integram a iniciativa mais ampla.
Segundo Larry Ellison, presidente e diretor de tecnologia da Oracle, quando concluído, o cluster terá capacidade para conectar instituições governamentais e comerciais dos Emirados a modelos avançados de inteligência artificial.
Portanto, qualquer alteração relevante no projeto pode ter impacto não apenas local, mas também sobre empresas internacionais que dependem dessa infraestrutura.
Resiliência passa a envolver software e instalações físicas
Os ataques na região ampliam o significado de resiliência em infraestrutura digital.
Tradicionalmente, empresas pensam em redundância contra falhas de servidores, problemas de software, quedas de energia e ataques cibernéticos.
A APIBrasil já mostrou, por exemplo, como o crescimento dos ataques DDoS aumenta a necessidade de redundância e capacidade distribuída.
Agora, projetos de grande escala também precisam considerar conflitos militares, drones e danos físicos.
A arquitetura deixa de depender apenas de firewalls e sistemas redundantes. Localização geográfica, construção do prédio, geração de energia e até defesa aérea podem se tornar parte da estratégia de continuidade.
Data centers se tornam infraestrutura crítica
A revisão dos data centers dos Emirados Árabes evidencia como essas instalações ganharam importância estratégica.
Um grande centro computacional não sustenta apenas sites. Ele pode hospedar serviços públicos, operações empresariais, bancos de dados, sistemas financeiros, APIs e modelos utilizados por milhares de aplicações.
Consequentemente, indisponibilidade de infraestrutura dessa escala pode produzir efeitos muito além do prédio atingido.
O projeto dos Emirados ainda não possui um novo desenho definitivo, e as alterações podem impactar custos e cronogramas. No entanto, a direção discutida já revela uma mudança importante: distribuir capacidade e reforçar fisicamente os data centers passou a fazer parte da estratégia de continuidade operacional.
Para desenvolver aplicações e integrar seus sistemas a serviços digitais por meio de APIs, acesse a documentação da APIBrasil e conheça os recursos disponíveis.
![]()









