Os países do BRICS querem acelerar a integração de seus sistemas financeiros para facilitar pagamentos internacionais mais rápidos e baratos. Ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do bloco defenderam nesta quinta-feira (10) avanços na interoperabilidade entre as infraestruturas de pagamento dos países membros.
Em comunicado conjunto divulgado antes da cúpula do BRICS em Nova Délhi, as autoridades pediram que a força-tarefa responsável pelo tema continue desenvolvendo soluções práticas para pagamentos internacionais.
O objetivo declarado é tornar os pagamentos do BRICS mais rápidos, acessíveis, eficientes, transparentes e seguros.
No entanto, ainda não existe um sistema único aprovado, nem um acordo para conectar diretamente o Pix brasileiro às redes dos demais países. As discussões envolvem diferentes alternativas técnicas, incluindo a possível conexão entre moedas digitais emitidas por bancos centrais.
O que o BRICS quer mudar nos pagamentos internacionais
Hoje, uma transferência entre empresas ou pessoas localizadas em países diferentes pode atravessar vários bancos e intermediários antes de chegar ao destinatário.
Esse processo aumenta custos e pode levar horas ou dias, dependendo das instituições, moedas e países envolvidos.
O BRICS quer reduzir essa complexidade.
No comunicado divulgado nesta semana, os ministros e presidentes de bancos centrais reconheceram o trabalho realizado pela BRICS Payment Task Force, grupo dedicado a discutir a infraestrutura financeira do bloco.
Além disso, pediram avanços concretos na interoperabilidade.
Na prática, interoperabilidade significa permitir que sistemas diferentes consigam trocar informações e processar operações entre si sem exigir que todos utilizem exatamente a mesma tecnologia.
É um princípio semelhante ao que já aparece em APIs e integrações: duas plataformas não precisam ser idênticas para se comunicar, desde que utilizem padrões compatíveis.
BRICS não anunciou uma moeda única
A discussão sobre pagamentos entre os países do bloco frequentemente aparece associada a uma suposta moeda comum do BRICS.
Entretanto, o comunicado atual não anuncia uma moeda única.
O foco está em melhorar a infraestrutura necessária para realizar pagamentos entre os países membros.
A Índia também pretende avançar nas conversas sobre uma possível conexão entre moedas digitais de bancos centrais, as CBDCs, segundo informações obtidas pela Reuters.
Essas moedas diferem de criptomoedas como Bitcoin. Uma CBDC representa dinheiro oficial emitido por um banco central em formato digital.
A proposta indiana seria permitir que diferentes moedas digitais nacionais consigam interagir para facilitar operações internacionais.
Ainda assim, existem importantes barreiras técnicas, regulatórias e políticas antes que um sistema desse tipo se torne realidade.
Pix pode entrar nessa discussão?
Para o Brasil, a discussão chama atenção principalmente por causa do Pix.
O sistema brasileiro mostrou que pagamentos instantâneos podem funcionar em larga escala, conectando bancos, fintechs, empresas e consumidores dentro de uma infraestrutura comum.
A APIBrasil já mostrou como o Pix se tornou uma infraestrutura estratégica de pagamentos no Brasil, indo muito além das transferências entre pessoas.
Entretanto, o comunicado do BRICS não confirma uma ligação direta entre Pix e sistemas de outros países.
O que existe hoje é uma discussão mais ampla sobre interoperabilidade.
Isso pode, no futuro, abrir espaço para conexões envolvendo sistemas nacionais de pagamento instantâneo, CBDCs ou novas plataformas criadas especificamente para operações internacionais.
Portanto, seria precipitado afirmar que o Pix passará a funcionar diretamente na China, Índia ou Rússia.
O que mudou é que os países estão tentando transformar a discussão em soluções técnicas mais concretas.
Brasil já estuda levar pagamentos instantâneos para fora do país
A movimentação do BRICS também ocorre em paralelo a outras iniciativas de internacionalização de pagamentos instantâneos.
O Banco Central brasileiro já demonstrou interesse em conectar sua infraestrutura a sistemas internacionais.
Esse movimento é importante porque o Pix nasceu como uma rede doméstica. Para realizar operações internacionais de forma direta, diferentes sistemas precisam resolver questões envolvendo conversão de moedas, liquidação financeira, identificação dos participantes, prevenção a fraudes e regras regulatórias.
Consequentemente, a parte mais difícil não é apenas fazer uma mensagem sair de um sistema e chegar a outro.
É necessário garantir que duas instituições localizadas em países diferentes concordem sobre o valor transferido, a moeda utilizada, a identidade dos participantes e a conclusão da operação.
APIs são parte importante dessa infraestrutura
A integração entre sistemas financeiros depende fortemente de padrões tecnológicos capazes de transportar informações com segurança.
APIs podem desempenhar um papel importante nessa arquitetura ao permitir que bancos, fintechs, gateways e plataformas consultem dados e iniciem operações de maneira padronizada.
Uma API de pagamento, por exemplo, pode conectar uma plataforma comercial aos serviços utilizados para iniciar, confirmar e acompanhar uma transação.
Em pagamentos internacionais, porém, a complexidade aumenta.
Além da comunicação entre sistemas, a infraestrutura precisa lidar com câmbio, regras de diferentes jurisdições, compliance, prevenção à lavagem de dinheiro e liquidação entre instituições.
Por isso, conectar sistemas nacionais exige muito mais do que simplesmente disponibilizar uma API.
Por que os países querem reduzir intermediários
O interesse dos países do BRICS em melhorar pagamentos internacionais também possui uma dimensão econômica.
Transferências internacionais tradicionais podem depender de redes de bancos correspondentes. Cada intermediário adiciona processos, custos e possíveis atrasos.
Uma infraestrutura capaz de conectar diretamente sistemas nacionais pode reduzir parte desse caminho.
Para empresas, isso poderia resultar em pagamentos de fornecedores internacionais mais rápidos e maior previsibilidade sobre custos.
Por outro lado, para consumidores, poderia facilitar remessas entre países.
Além disso, sistemas interoperáveis podem favorecer fintechs e plataformas digitais que operam em diferentes mercados.
No entanto, os benefícios dependem de como a infraestrutura será construída e de quais instituições poderão participar.
Segurança será um dos maiores desafios
Quanto maior a integração entre sistemas financeiros, maior também a necessidade de controles de segurança.
Uma infraestrutura internacional precisa validar participantes, proteger credenciais, monitorar transações e identificar comportamentos suspeitos praticamente em tempo real.
Também precisa definir claramente quem assume responsabilidade quando algo dá errado.
Esses cuidados são semelhantes aos encontrados em integrações financeiras privadas, porém em uma escala muito maior.
Além disso, sistemas conectados podem criar novas superfícies de ataque. Uma vulnerabilidade em um participante não deve permitir que criminosos avancem livremente pela infraestrutura.
Por isso, autenticação forte, segmentação, monitoramento, logs e controle de permissões tornam-se essenciais.
BRICS ainda precisa superar obstáculos políticos e técnicos
Apesar do avanço das discussões, criar uma infraestrutura financeira comum entre os países do BRICS não será simples.
Assim, o bloco reúne economias com sistemas bancários, moedas, regulações e interesses geopolíticos bastante diferentes.
Além disso, alguns países mantêm relações financeiras limitadas entre si.
Também será necessário resolver questões relacionadas aos desequilíbrios comerciais. Se um país recebe muito mais pagamentos em determinada moeda do que consegue utilizar posteriormente, mecanismos adicionais de conversão ou liquidação podem ser necessários.
Portanto, a declaração desta semana representa principalmente um sinal político para acelerar o desenvolvimento de soluções, e não o lançamento de uma nova rede de pagamentos.
Pagamentos do BRICS entram em fase mais concreta
A discussão sobre os pagamentos do BRICS começa a sair do campo de propostas genéricas e avançar para questões de interoperabilidade, velocidade, custo e segurança.
O próximo passo será observar quais tecnologias o grupo pretende utilizar.
A conexão de CBDCs defendida pela Índia é uma possibilidade. A interoperabilidade entre sistemas nacionais de pagamentos instantâneos representa outra. Também podem surgir modelos híbridos.
Para o Brasil, o Pix coloca o país em uma posição especialmente interessante nesse debate, porque já existe uma infraestrutura nacional madura para pagamentos em tempo real.
Ainda não há confirmação de que o Pix será conectado ao BRICS. Porém, qualquer avanço concreto em pagamentos internacionais interoperáveis pode abrir novas possibilidades para bancos, fintechs, empresas e desenvolvedores brasileiros.
Para integrar dados e serviços financeiros aos seus sistemas por meio de APIs, consulte a documentação da APIBrasil e conheça os recursos disponíveis.
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