Ataques DDoS gigantes disparam 519%, aponta Cloudflare

Os ataques DDoS de grande escala dispararam no primeiro semestre de 2026. A Cloudflare registrou uma alta de 519% nos ataques classificados como hipervolumétricos em sua rede, reforçando o alerta para empresas que dependem de sites, APIs e serviços disponíveis continuamente.

Além disso, a companhia mitigou 935 ataques de camada de rede que ultrapassaram 1 Tbps entre janeiro e junho. Esse volume mostra que ataques antes considerados extremos aparecem com frequência cada vez maior na infraestrutura global.

O levantamento, divulgado nesta terça-feira, 11 de agosto, aponta ainda forte uso de técnicas envolvendo DNS e CLDAP, que permitem ampliar grandes quantidades de tráfego e direcioná-las contra uma vítima.

O que são ataques DDoS e por que eles preocupam

Um ataque DDoS, sigla para Distributed Denial of Service, tenta derrubar ou degradar um serviço ao enviar um volume de tráfego maior do que sua infraestrutura consegue processar.

Em vez de depender de apenas um computador, os criminosos podem usar milhares de dispositivos, servidores comprometidos ou outras fontes para gerar requisições simultâneas.

Consequentemente, um site pode parar de responder, uma API pode apresentar erros e um aplicativo pode ficar indisponível mesmo sem ocorrer invasão ou roubo direto de dados.

Esse ponto diferencia ataques DDoS de outras ameaças. O objetivo principal costuma ser afetar a disponibilidade do serviço.

Para empresas digitais, porém, ficar fora do ar por alguns minutos já pode gerar perdas. Lojas deixam de concluir vendas, aplicativos não conseguem consultar dados e integrações falham quando um endpoint deixa de responder.

O aumento acontece em um cenário mais amplo de pressão sobre a segurança digital. No Brasil, por exemplo, organizações enfrentaram uma média de 4.001 ataques cibernéticos por semana em junho, como mostrou o levantamento abordado pela APIBrasil sobre o crescimento dos ciberataques no Brasil.

Ataques DDoS acima de 1 Tbps ficam mais frequentes

A escala aparece como um dos pontos mais importantes do relatório da Cloudflare.

No primeiro semestre, a empresa mitigou 935 ataques de camada de rede acima de 1 Tbps. Em outras palavras, essas ofensivas geraram mais de um terabit de tráfego por segundo direcionado à infraestrutura atacada.

Para uma organização que hospeda sua aplicação em uma infraestrutura menor, um ataque nem sequer precisa alcançar esse nível para causar problemas.

O impacto depende da capacidade da rede, dos servidores e dos mecanismos de proteção disponíveis. Portanto, um volume muito abaixo de 1 Tbps também pode deixar um serviço inacessível quando ultrapassa os recursos disponíveis.

Ao mesmo tempo, a alta de 519% nos ataques hipervolumétricos mostra que organizações precisam considerar cenários mais extremos ao planejar disponibilidade e continuidade.

Não basta, portanto, dimensionar a aplicação apenas para o tráfego legítimo esperado em dias de maior movimento.

DNS e CLDAP ajudam a ampliar os ataques

A Cloudflare destacou ataques relacionados a DNS e CLDAP entre os vetores que impulsionaram o crescimento observado em 2026.

Uma das estratégias usadas nesse tipo de ofensiva é a reflexão. O atacante envia solicitações para servidores expostos usando como origem o endereço da vítima.

Esses servidores respondem para o alvo e, dependendo do protocolo, a resposta pode ser significativamente maior do que a solicitação inicial.

Assim, o criminoso consegue transformar uma quantidade menor de tráfego enviado em um volume muito maior direcionado à infraestrutura atacada.

Além disso, a distribuição do tráfego entre diferentes servidores dificulta uma resposta baseada apenas no bloqueio de um endereço IP.

Por isso, a defesa contra ataques volumétricos normalmente precisa acontecer antes que todo o tráfego alcance diretamente a infraestrutura da aplicação.

APIs também podem ficar indisponíveis durante ataques DDoS

O impacto dos ataques DDoS não se limita a páginas da web.

Hoje, aplicativos móveis, sistemas financeiros, plataformas de atendimento e serviços empresariais dependem de APIs para trocar informações.

Se um endpoint recebe um número enorme de requisições, pode consumir conexões, memória, processamento ou outros recursos disponíveis. Consequentemente, usuários legítimos começam a enfrentar lentidão, timeouts e erros.

Nesse cenário, aplicar rate limiting em APIs ajuda a controlar quantas requisições cada cliente pode fazer dentro de determinado período.

Por exemplo, a aplicação pode limitar uma chave de API ou endereço IP a um número específico de chamadas por minuto.

Entretanto, o rate limiting não substitui uma proteção dedicada contra DDoS. Em ataques volumétricos, o tráfego pode saturar a conexão antes mesmo de chegar à camada responsável por limitar as requisições.

Portanto, as empresas precisam combinar diferentes mecanismos de defesa.

API Gateway pode ajudar a controlar o tráfego

Um API Gateway pode funcionar como um ponto central para receber chamadas antes que elas alcancem os serviços internos.

Essa camada permite aplicar autenticação, limites de requisições, regras de acesso, monitoramento e roteamento.

Além disso, a arquitetura pode impedir que cada microsserviço fique diretamente exposto à internet.

Quando um comportamento anormal aparece, a equipe também consegue analisar os registros centralizados para identificar quais endpoints recebem mais tráfego e como as requisições se distribuem.

Contudo, assim como o rate limiting, um gateway sozinho não resolve um ataque capaz de saturar a capacidade de rede. Proteções na borda, CDNs e serviços especializados de mitigação precisam absorver ou filtrar grandes volumes antes que eles cheguem à aplicação.

Como empresas podem reduzir o impacto de um ataque

A primeira medida consiste em identificar quais serviços não podem ficar indisponíveis. APIs de autenticação, pagamentos, checkout e comunicação com clientes, por exemplo, podem sustentar diferentes partes da operação.

Depois, a empresa precisa acompanhar o comportamento normal do tráfego. Picos repentinos de requisições, aumento de erros e consumo anormal de recursos podem indicar um incidente.

Também é importante distribuir a infraestrutura e evitar pontos únicos de falha.

No caso das APIs, controles como autenticação, limitação de chamadas e validação das requisições continuam necessários. A segurança de APIs precisa considerar não apenas acesso indevido aos dados, mas também disponibilidade e capacidade de suportar abusos.

Outro ponto essencial é preparar um plano de resposta. Durante um ataque, as equipes precisam saber quem acionar, quais serviços priorizar e quais medidas podem aplicar sem interromper usuários legítimos.

DDoS passa a exigir proteção em escala

O crescimento de 519% nos maiores ataques DDoS mostra que ataques de enorme capacidade estão deixando de ser eventos tão excepcionais.

Ao registrar 935 ofensivas acima de 1 Tbps em apenas seis meses, a Cloudflare mostra como a escala disponível aos atacantes mudou.

Para empresas, isso amplia a importância de pensar na segurança desde a arquitetura. APIs, sites e aplicativos precisam combinar controle de tráfego, monitoramento, redundância e mecanismos externos capazes de absorver ataques antes que eles derrubem os sistemas internos.

A tendência também reforça uma mudança na forma de avaliar segurança: proteger dados continua essencial, mas manter serviços disponíveis durante um ataque se tornou igualmente importante.

Para criar integrações e consultar os recursos disponíveis para suas aplicações, acesse a documentação da APIBrasil.

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