Microsoft leva Word, Excel e agentes ao Copilot

O Microsoft Copilot está passando por uma das maiores mudanças desde seu lançamento. A Microsoft anunciou nesta sexta-feira (25) novas ferramentas para gerar software com linguagem natural, um agente capaz de permanecer ativo continuamente e a integração direta de Word, Excel e PowerPoint dentro do próprio assistente.

A estratégia busca transformar o Copilot em uma central de trabalho, em vez de manter o serviço apenas como uma interface de conversa. Assim, usuários poderão produzir documentos, trabalhar com planilhas, criar apresentações e desenvolver aplicações sem alternar constantemente entre diferentes ferramentas.

Além disso, a Microsoft apresentou novos controles de custos, permissões e governança para facilitar a adoção de agentes dentro das empresas.

Microsoft Copilot terá Word, Excel e PowerPoint integrados

Uma das principais mudanças será a integração das aplicações do Office diretamente ao Microsoft Copilot.

Word, Excel e PowerPoint poderão funcionar dentro do ambiente do assistente, permitindo que o usuário trabalhe nos arquivos sem precisar sair da ferramenta.

A mudança aproxima ainda mais a inteligência artificial das tarefas que já fazem parte da rotina de empresas.

Em vez de pedir ao Copilot uma sugestão, copiar a resposta e depois abrir outro programa, a Microsoft quer concentrar mais etapas em um mesmo fluxo.

Na prática, o usuário poderá trabalhar de forma colaborativa com a IA enquanto utiliza documentos, planilhas e apresentações.

Esse movimento acompanha uma disputa crescente por integrar assistentes diretamente às ferramentas de produtividade. A APIBrasil mostrou, por exemplo, como ChatGPT e Codex passaram a trabalhar com Chrome, Excel e Google Planilhas.

A diferença agora é que a Microsoft controla tanto o Copilot quanto algumas das aplicações corporativas mais utilizadas do mercado.

Code permitirá criar aplicações usando linguagem natural

Outra novidade é uma ferramenta chamada Code.

O recurso permitirá criar aplicações, dashboards e outros tipos de software usando comandos escritos em linguagem natural.

Segundo a Microsoft, a tecnologia por trás do Code utiliza a mesma base do GitHub Copilot.

Assim, um usuário poderá descrever o que deseja construir e utilizar o sistema para gerar parte do código necessário.

A empresa pretende liberar o Code para clientes em acesso antecipado no final de setembro. Posteriormente, assinantes dos planos Microsoft 365 Premium e Pro poderão testar a ferramenta ainda em 2026.

A proposta amplia o alcance da geração de código para além de desenvolvedores tradicionais.

No entanto, isso não significa que qualquer aplicação poderá entrar em produção sem revisão. Código gerado automaticamente ainda precisa passar por testes, validações de segurança e análise das integrações utilizadas.

Autopilot será um agente permanente dentro da empresa

A mudança mais relevante para ambientes corporativos talvez esteja no Autopilot.

O recurso é uma evolução do agente Scout, apresentado pela Microsoft em junho.

A companhia descreve o Autopilot como um “colega de trabalho digital” capaz de permanecer ativo continuamente.

Além disso, ele terá identidade própria dentro do diretório da empresa.

Isso significa que o agente não funcionará apenas como uma janela de chat aberta por um funcionário. Ele poderá aparecer como uma identidade separada dentro da infraestrutura corporativa e receber permissões específicas.

Os administradores poderão controlar essas autorizações.

A Microsoft planeja iniciar uma prévia privada do Autopilot no final do mês.

Identidade própria muda a segurança dos agentes

Dar uma identidade separada a um agente resolve um problema importante de governança.

Hoje, quando uma automação utiliza as credenciais de um funcionário, pode ficar difícil determinar se determinada ação partiu da pessoa ou do sistema.

Com uma identidade específica, a empresa consegue separar melhor essas atividades.

Além disso, torna-se possível limitar quais sistemas o agente pode consultar e quais operações ele consegue executar.

Esse modelo se aproxima do conceito abordado pela APIBrasil ao analisar a NewCore e a criação de identidades específicas para agentes de IA.

A lógica é semelhante à utilizada para funcionários e aplicações: cada identidade recebe apenas as permissões necessárias para seu trabalho.

Consequentemente, um agente responsável por consultar documentos não precisa, por exemplo, obter automaticamente permissão para alterar configurações críticas da infraestrutura.

Segurança e compliance ainda dificultam adoção

A própria Microsoft reconhece que empresas ainda enfrentam dificuldades para colocar agentes em ambientes corporativos.

Annie Pearl, vice-presidente corporativa de produto do Copilot, afirmou à Reuters que preocupações com segurança, compliance e governança dificultam a adoção dessa tecnologia.

Por isso, a empresa tenta construir o Autopilot com controles específicos para organizações.

O problema ganha relevância conforme agentes recebem capacidade para operar sistemas reais.

Um assistente que apenas gera texto possui um nível de risco. Já um agente capaz de acessar arquivos, consultar APIs e executar tarefas possui outro.

Por esse motivo, empresas precisam controlar autenticação, autorização, logs e escopos de acesso.

A preocupação também aparece no plano do Google DeepMind para reduzir riscos de agentes de IA autônomos, que defende monitoramento e barreiras em várias camadas.

Microsoft Copilot também mostrará os custos da IA

Outra novidade apresentada pela Microsoft envolve o controle financeiro.

Empresas poderão oferecer aos funcionários maior visibilidade sobre os custos associados ao uso de recursos de inteligência artificial.

A medida responde a uma preocupação crescente nas organizações.

Quanto mais agentes executam tarefas, processam documentos e realizam operações automaticamente, mais difícil pode se tornar prever quanto aquela infraestrutura custará ao final do mês.

Por isso, acompanhar consumo deixa de ser apenas um trabalho da equipe financeira.

Usuários e administradores precisam entender quais atividades estão gerando despesas e se o benefício obtido justifica o consumo.

Essa preocupação tende a crescer à medida que agentes deixam de ser acionados apenas por comandos pontuais e passam a trabalhar continuamente.

Copilot se aproxima de uma plataforma de automação

As mudanças também mostram que o Microsoft Copilot está ficando mais distante do conceito inicial de chatbot.

Um chatbot recebe uma pergunta e oferece uma resposta.

Já uma plataforma com acesso ao Office, geração de software e agentes permanentes consegue participar de fluxos muito maiores.

Ela pode criar conteúdo, processar informações e executar etapas de processos corporativos.

Quando sistemas externos entram nesse fluxo, APIs passam a desempenhar um papel importante.

Por meio delas, agentes podem consultar bancos de dados, buscar informações em CRMs ou acionar outros serviços automaticamente.

A APIBrasil explica como APIs podem ser utilizadas para automatizar processos e conectar diferentes softwares sem depender de tarefas manuais repetitivas.

No entanto, cada nova integração também adiciona permissões e dados que precisam ser protegidos.

Microsoft aumenta disputa por espaço no trabalho corporativo

Com as novas ferramentas, a Microsoft tenta transformar o Microsoft Copilot no ponto central para diferentes atividades realizadas durante o expediente.

A estratégia também amplia a concorrência com produtos como ChatGPT e Claude, que igualmente avançam para além da conversa e começam a executar tarefas.

Para a Microsoft, existe uma vantagem importante: Word, Excel, PowerPoint, GitHub e a infraestrutura corporativa da empresa já fazem parte do ambiente de muitas organizações.

Agora, a companhia busca conectar essas peças por meio do Copilot.

O ponto a acompanhar será como empresas controlarão agentes que permanecem ativos continuamente e recebem acesso a sistemas reais.

Nesse cenário, produtividade precisará avançar junto com identidade, permissões, rastreabilidade e controle de custos.

Para integrar aplicações e automatizar consultas entre diferentes sistemas por meio de APIs, acesse a documentação da APIBrasil e conheça os recursos disponíveis.

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